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Sobre jamesdoring

Sou de Blumenau, Santa Catarina e atualmente moro em Florianópolis. Já toquei em trio de música alemã, trabalhei em xerox de universidade, fui por 4 anos presidente da Juventude Evangélica do sínodo Vale do Itajaí (IECLB) e fui conferente e comprador de uma empresa que vendia ferro, antes de virar publicitário. Aprendi o "Vai lá e faz" na Perestroika, em Porto Alegre e também a querer aprender cada vez mais (2 vezes), com a Escola Cuca, de São Paulo.

A.C / D.C (ou Antes da Covid / Durante a Covid – porque o depois dela ainda não sabemos quando nem como vai ser).

Tava na cara: uma hora a quarentena ia chegar.
Mas enquanto não é conosco, parece que não vai acontecer.
Até a verdade entrar sem bater na nossa porta, ela parece aquele e-mail que vai direto pro spam.
E a gente só vê se realmente quiser.

Enquanto não é possível se perder pelas ruas, me perco em lembranças.
Pedalando dentro do apê, dou risada com as quedas de bike na infância.
Com aquela Caloi amarela reformada que, pensando bem, podia ter rodado muito mais km.
Pena que não dá pra raladep pra trás e ter mais uma chance.

Em vez de nadar, o mergulho é ainda mais fundo.
Imerso na própria alma, o desafio é não se afogar na ansiedade.
Nem ficar boiando esperando a próxima corrente vir para mostrar um caminho.
Cada um tem que achar o próprio ritmo: aprender a respirar certo pra ir o máximo que der.

Já que não dá pra viajar, viajo em pensamentos.
E estes vão longe, ziguezagueando em infinitos quilômetros.
Anos-luz. Indo para um lado tão rápido quanto a guinada em direção ao outro.
Já até desisti de entender o algoritmo.

Encontrar com os amigos só virtualmente. Mas nem isso tenho feito tanto assim.
Ultimamente o único encontro real é com o espelho.
E ao contrário das relações sociais. Ele não mente. Nem pra agradar, nem pra desagradar.
Nessa hora, é cara a cara, não tem jeito: o reflexo soy jo.

Na internet, na TV e nos grupos de WhatsApp, observo a realidade versus as fake news.
Mostrando um mundo que já não estava tão saudável assim antes da pandemia.
E que o ser humano já era um bicho doente, antes de ser infectado.
Aliás, até agora não soube de nenhum panda que contraiu o vírus.

Pois bem, na caixa de spam ou não, o Covid chegou.
E foi igual uma encomenda do exterior. Você até esquece que existe até ela chegar de surpresa. Será que, no fim das contas, vai ter alguma utilidade?

Vejo você na era pós-Covid. E espero encontrar novos seres humanos, após a dura realidade do novo Coronavírus.

Everlong

Já faz um certo tempo, comprei uma camiseta.
Assim. Por impulso mesmo. 
A estampa era um verso de uma música especial pra mim.

E desde o clique em “confirmar compra”, ela se tornou uma das minhas favoritas.

O engraçado é que foram poucas as vezes em que eu realmente a usei.
Fiquei sempre deixando pra usá-la depois. 
Em um dia mais especial, talvez. 
Quando eu estiver com melhor humor, quem sabe.

Curioso.
Já fiquei mais dias em quarentena do que dias vestindo aquela camiseta.

E isso me faz pensar. Que outros gestos eu acabei deixando pra depois?
Que outras palavras eu deixei pra um dia mais especial?

Quantos outros dias de quarentena eu já fiquei a mais do que dias em que fiz algo realmente bom?

Respiro fundo e me acalmo. Quem sabe, as oportunidades estarão me esperando com a mesma frase estampada na minha camiseta:

“Hello. I’ve waited here for you. Everlong”

Dores do primeiro mundo

O ego ferido
O coração partido
A pizza fria
Muita louça na pia

Deu pau no 4g
Agora vou ter que usar gg
O ar do carro estragou
O limite do cartão estourou

Motorista de app chato
Erraram o sabor do meu gelato
40 minutos pra cancelar a Net
Acabou a bateria do patinete

Acho que o pessoal precisa de compreensão
Você disse sim e eu não.

A morte não morrida.

Dizem que foi dormir em uma noite normal e acordou morto.

⁃ Não morto, morto. Até porque quem morre de morte morrida não acorda –

Mas morto de sentimento. De palavras, carinhos e sorrisos. Quase como se estivesse velando a si próprio. Assistindo sem culpa aos seus sonhos sem vida e gélidos ali, prestes a serem enterrados a muito mais que 7 palmos do chão, sem dó.

⁃ Nem ré sustenido e muito menos um si bemol –

Foi dormir e acordou morto. É o que dizem.
Não ressuscitou.

⁃ Nem no terceiro dia, nem no quinto e também não na missa de sétimo dia –

Acordou morto.
E o que dizem é que nunca vai acordar vivo de novo. Pelo menos não até que digam o contrário. Ou até o dia em que o que os outros disserem não faça mais diferença. Até que palavras alheias não matem a sua essência.
Acordou.

Acordou?

três eis.

Sabe o que devia ser contra a lei?
Aquele seu sorriso.
Sabe o que derrubaria um rei?
Você chegar sem aviso.
Sabe o que me dá vontade de dizer: “hey!”?

O simples fato de te ver.
O complicado ato de escrever.
A impossível / inadmissível / invisível
Inaceitável / inabalável / intragável possibilidade de você dizer:

Caralho, que falta de você aqui, porra.

Eu sinto muito

Eu sinto muito.

Muito mesmo.

Não é sobre arrependimento.

É sobre sentimento.

É subir no alto do monte Everest da felicidade.

E de lá despencar.

Sem paraquedas ou aquela roupa especial que faz o cara voar em queda livre (?)

É sentir o coração sair pela boca até se conformar que sim, voudardecaranochão. 

Fechar os olhos. Os punhos. Os ouvidos. 

Até ser catapultado misteriosamente de volta.

  Mas de repente tô aqui em cima.

Era pra estar aqui embaixo.

Planando. Como o pássaro brinca com o vento.

Só que o vento é quem brinca.

E se você sentiu que perdeu tempo lendo até aqui. Peço desculpas, mas eu avisei lá no começo.

Eu sinto muito.

Motivação

Motivação.
Àsvezesédifícilconseguirmanterelapor

perto.
Até. porque. Isso. cansa.

Açúcar.
Cafeína.
Adrenalina.
Cafeína de novo.

A superultramegahiper coincidência cósmica que se alinha aos astros agora.

Um acorde.
Um solo.
Um riff.
O dedo mindinho que acerta a nota mais aguda.
Tutupá, tutupá.

Quatro punkrockpesadões a mil batimentos por minuto.

Energia.
Esporte. Mexer esse corpinho.
200kg no legpress. #VaiMonstrão.
O ponto. O gol. A cesta.
O recorde.

Às vezes a maior vitória nãotelevanecessariamente ao pódio.

Motivação.
O que é? Onde vive? Do que se alimenta?
Ou melhor. Onde ela habita em você?

astigmatismo

Aquele olhar despretensioso.
Por cima dos óculos.
Com a vista direita, porque o grau da esquerda é um pouco mais alto.

Todo o resto é borrão.
Embaço. Fumaça. Letargia.
O mundo é o caos. Confusão.

E já que a visão é embaralhada, por que o raciocínio deveria ter foco?
Por cima dos óculos, até o pensamento é míope.
Incapaz de enxergar longe.