Dores do primeiro mundo

O ego ferido
O coração partido
A pizza fria
Muita louça na pia

Deu pau no 4g
Agora vou ter que usar gg
O ar do carro estragou
O limite do cartão estourou

Motorista de app chato
Erraram o sabor do meu gelato
40 minutos pra cancelar a Net
Acabou a bateria do patinete

Acho que o pessoal precisa de compreensão
Você disse sim e eu não.

A morte não morrida.

Dizem que foi dormir em uma noite normal e acordou morto.

⁃ Não morto, morto. Até porque quem morre de morte morrida não acorda –

Mas morto de sentimento. De palavras, carinhos e sorrisos. Quase como se estivesse velando a si próprio. Assistindo sem culpa aos seus sonhos sem vida e gélidos ali, prestes a serem enterrados a muito mais que 7 palmos do chão, sem dó.

⁃ Nem ré sustenido e muito menos um si bemol –

Foi dormir e acordou morto. É o que dizem.
Não ressuscitou.

⁃ Nem no terceiro dia, nem no quinto e também não na missa de sétimo dia –

Acordou morto.
E o que dizem é que nunca vai acordar vivo de novo. Pelo menos não até que digam o contrário. Ou até o dia em que o que os outros disserem não faça mais diferença. Até que palavras alheias não matem a sua essência.
Acordou.

Acordou?

três eis.

Sabe o que devia ser contra a lei?
Aquele seu sorriso.
Sabe o que derrubaria um rei?
Você chegar sem aviso.
Sabe o que me dá vontade de dizer: “hey!”?

O simples fato de te ver.
O complicado ato de escrever.
A impossível / inadmissível / invisível
Inaceitável / inabalável / intragável possibilidade de você dizer:

Caralho, que falta de você aqui, porra.

Eu sinto muito

Eu sinto muito.

Muito mesmo.

Não é sobre arrependimento.

É sobre sentimento.

É subir no alto do monte Everest da felicidade.

E de lá despencar.

Sem paraquedas ou aquela roupa especial que faz o cara voar em queda livre (?)

É sentir o coração sair pela boca até se conformar que sim, voudardecaranochão. 

Fechar os olhos. Os punhos. Os ouvidos. 

Até ser catapultado misteriosamente de volta.

  Mas de repente tô aqui em cima.

Era pra estar aqui embaixo.

Planando. Como o pássaro brinca com o vento.

Só que o vento é quem brinca.

E se você sentiu que perdeu tempo lendo até aqui. Peço desculpas, mas eu avisei lá no começo.

Eu sinto muito.

Motivação

Motivação.
Àsvezesédifícilconseguirmanterelapor

perto.
Até. porque. Isso. cansa.

Açúcar.
Cafeína.
Adrenalina.
Cafeína de novo.

A superultramegahiper coincidência cósmica que se alinha aos astros agora.

Um acorde.
Um solo.
Um riff.
O dedo mindinho que acerta a nota mais aguda.
Tutupá, tutupá.

Quatro punkrockpesadões a mil batimentos por minuto.

Energia.
Esporte. Mexer esse corpinho.
200kg no legpress. #VaiMonstrão.
O ponto. O gol. A cesta.
O recorde.

Às vezes a maior vitória nãotelevanecessariamente ao pódio.

Motivação.
O que é? Onde vive? Do que se alimenta?
Ou melhor. Onde ela habita em você?

astigmatismo

Aquele olhar despretensioso.
Por cima dos óculos.
Com a vista direita, porque o grau da esquerda é um pouco mais alto.

Todo o resto é borrão.
Embaço. Fumaça. Letargia.
O mundo é o caos. Confusão.

E já que a visão é embaralhada, por que o raciocínio deveria ter foco?
Por cima dos óculos, até o pensamento é míope.
Incapaz de enxergar longe.

pré-refrão

Às vezes a vontade é de ficar deitado ouvindo música.
Música ouvindo, enquanto deitado.
Fone de ouvido, embaixo das cobertas.
Harmonia perfeita: eu e meu colchão.
As notas do rock rasgado se igualam ao lençol.
A linha do baixo.
A virada da bateria.
O pré-refrão.
Enquanto a guitarra base se faz presente, o solo fica por minha conta.
Já que o espaço ao lado continua vazio.